Please send me your last pair of shoes, worn out with dancing as you mentioned in your letter, so that I might have something to press against my heart - Johann Wolfgang von Goethe
O que se Deve Cantar a um Moribundo
I. Marchas de Carnaval.
A um octogenário, ofereça Scarlett Johansson vestida de duquesa, cantando “mamãe eu quero”. Aí ela narra uma batalha naval ou o bombardeio de Pearl Harbor. Faz gestos de Otaku e babytalking, entre risinhos gemebundos (que serão dublados em espanhol com a voz da Penélope Cruz). “Fomos torpedeados”.
II. Hardbop.
Entra a Eva Mendes. Ela fica 20 minutos fazendo biquinhos imitando notas rápidas do trompete de Dexter Gordon. Os 6:37 de Scrapple from de Apple. Simula as batucadas da bateria nas coxas (aos 6:11 da música). Morde uma maçã. Alguém diz “que clichê, Eva!” Depois ela te pune lendo 20 minutos de um fórum do tipo MAC versus PC, até que sujeito que levou um tiro no pé invadindo a Baía dos porcos morra feliz.
III. Folk Metal.
Diane Krueger entra fazendo air-guitar, com salpique de sangue na coxa. [morre-se aqui de peste bubônica]. Os mamilos do moribundo estão roxos (Rainha D.K é torturadora e conhece todo texto latino do malleus maleficarum). Ela fica girando, girando, girando, girando até seus gânglios explodirem. Você nota a ostrogotice e sussura “regina angelorum” na pronúncia latina eclesiástica [redjina andjélorum]. Ela bate com um pedaço de ripa na planta de seus pés “Nót bói” e corrige Regina Angelorum! [Réguina Anguélorum].
IV. Axé Music.
Rachecl Weisz. Ela entra assim com esse jeitinho marrento, e lê um trecho de Gersom Scholem. Diz que nunca se deve dormir de conchinha com um Golem, nem acompanhando-o dantescamente a descer na boca da garrafa.




- Suspiro – (duquesa).
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