as Ervilhas de Chesterton

Há quem faça citações com o frescor apático de quem puxa os fios de barba de um velho ortodoxo grego. Fitam os olhos e disparam, um homicídio verbal, o barulho oco e insípido de um tiro na testa com silenciador. Quem nunca quis dizer algo banal [como "dizem que em Lyon um homem cuspia ervilhas em sua mulher"] antes de atirar no centro da testa de um pobre-diabo?

É com algum desconforto que me irrito com citações de Chesterton; não me oponho às citações, mas à repetição, que torna suas frases, sobretudo de teor religioso, que as transformam em um abraço grupal, uma horda de meninos com buços e bigodinhos escuros defendendo os últimos escombros da civilização Ocidental.

 

Numa conversa, numa simples conversa, talvez numa chapelaria, ou um espetáculo de prestidigitadores, há quem cite um trecho de Chesterton, com o desconforto de quem tem um gato gordo (e agitado) em seus braços. Há citações gorduchas, onde o interlocutor fita a linha do horizonte, seus globos oculares se movem fugidios em suas órbitas e um palavrório com o peso de um contêiner cheio de latinhas de sardinha, surja de seus lábios grandiloqüentes.

Só desejo, agora, uma única cousa: que o hábito de citar seja usado com o comedimento, e quem mencionar Chesterton, cite trechos obscuros de seus contos, como se encarasse os olhos de uma serpente ou lebre, e contasse, ipsis litteris, o trecho em que ele compara um prado italiano com uma bolsa de camurça.

Defendo como punição à má citação, que nasçam jardins em toda extensão de seus braços, e em seus cotovelos brote uma espada de S. Jorge.

Surge, aqui no meu libro de citações, dois meninos com buços amanteigados, jogando pinball e a cada bolinha perdida, gritando: “é proibido ajeitar o chapéu na presença de um coveiro”.

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6 Comentários

Filed under Digressões

6 respostas a as Ervilhas de Chesterton

  1. Patotas sempre têm o problema das “vãs repetições”.

  2. Richard

    Um dos melhores posts até hoje, meu bom mameluco.

    Continue dando petelecos nas orelhas da direita engomadinha proto-católica.

  3. Pedro Barreto

    Caro amigo. Eu prefiro eminentemente que citem Chesterton a citar gente como Maurras, Guenón, Evola, etc. Antes que citem, até mesmo mal posicionado, do que cair na dura loucura sem volta do tradicionalismo irracional.

    • Pedro, non sequitur, rapá. Ou melhor, falácia do o-que-cu-tem-a-ver-com-a-cueca. Chesterston é grande demais pra virar um Che Guevara reaça. Não tem nada a ver com Julius Evola e irracionalices. MANS, se é pra banalizar alguém, Evola é o candidato perfeito.

  4. Felipe Bastos

    Bom seria se o sr. aprendesse a escrever com algum ritmo, algum cuidado. São sempre essas descrições absurdas e malescritas…

    “Há quem faça citações com o frescor apático de quem puxa os fios de barba de um velho ortodoxo grego.”

    “frescor apático” é sozinho um trecho lamentável, mas o que segue não merece comentários.

    Por favor, pare de escrever. Vc só se envergonha pelo baixo preço da admiração de pessoas que mal conhece.

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