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	<title>So Tell The Girls That I Am Back in Town</title>
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		<title>So Tell The Girls That I Am Back in Town</title>
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		<title>castitas lilium</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Jan 2012 17:13:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Cardoso</dc:creator>
				<category><![CDATA[os Sonhos de Baldr]]></category>
		<category><![CDATA[Bosch]]></category>
		<category><![CDATA[Chesterton]]></category>
		<category><![CDATA[Danone]]></category>
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		<description><![CDATA[Um avô macabro que em almoços familiares pegue netos pelos braços, com hálito de iodo, com perguntas (confundidas com maldições), diz aos netos “o diabo foi expulso ou caiu do paraíso?” – os netos perguntam, com seu hálito de Danone &#8230; <a href="http://nightscale.wordpress.com/2012/01/16/castitas-lilium/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=nightscale.wordpress.com&amp;blog=11065927&amp;post=1647&amp;subd=nightscale&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Um avô macabro que em almoços familiares pegue netos pelos braços, com hálito de iodo, com perguntas (confundidas com maldições), diz aos netos <em>“o diabo foi expulso ou caiu do paraíso?”</em> – os netos perguntam, com seu hálito de Danone “mas ele estava lá?”.</p>
<p style="text-align:justify;"> <img class="alignnone" src="http://christogenea.org/sites/default/files/images/042807_Garden_Bosch_detail%5B1%5D.jpg" alt="" width="300" height="334" /></p>
<p style="text-align:justify;">__</p>
<p style="text-align:justify;">O avô surpreso diz “o diabo caiu do céu fazendo movimentos centrífugos ou perpendiculares?”</p>
<p style="text-align:justify;">Os netos (teimosos) de boca seca, &#8211; o diabo caiu de costas ou de frente?</p>
<p style="text-align:justify;">O avô, sagaz, continua “mas a curvatura de seu nariz? Indica que caiu de frente.”</p>
<p style="text-align:justify;">Os netos dizem “mas o diabo é imanente ou transcendente?”</p>
<p style="text-align:justify;">O avô pensa num diabo-pessoal, uma criatura pra se carregar nos bolsos, pra levar dentro da cigarreira, &#8211; os netos prosseguem, com seu hálito de panquecas – Vovô, o diabo não existe!</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignnone" src="http://t2.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcR7SNIH2Hx4EnaG8OMxLKsiSCZfQr3PciJqx20j3LFv22TUP1e-dOYJBnykNg" alt="" width="238" height="212" /></p>
<p style="text-align:justify;"> O velho (quase-desistindo/impregnando o ambiente de iodo), diz num murmúrio solene, (já com um riso de vitória nos lábios):</p>
<p style="text-align:justify;"><em>“O diabo pode ser uma história inventada pelo primeiro avô que queria almoçar em paz  &#8211; talvez sua idealização se deu no calor, talvez uma miragem de um dragão que assolou um faminto que antes de morrer jurou tê-lo visto. O diabo é uma criação formidável à medida que sua existência, que também é coexistência conosco, mas como inimigo declarado, nos exime parcialmente de nossos erros: o diabo não guiou a mão dos homicidas, ou prevaricou, ou fingiu entrar no banheiro pra tomar banho e só ligou o chuveiro  sem e molhar (pra sair de lá com uma declaração de se banhou) – o diabo, quando é banido da existência, pode exercitar sua atividade favorita (a saber)&gt; sua incansável potência de murmurar em nossos ouvidos numa freqüência sônica inaudível para percepção destreinada. O diabo é um bombardeio de mensagens subliminares  &#8211; que importa saber se caiu, derrapou ou despencou do paraíso com um safanão de um arcanjo. Importa saber que entre seu apogeu e queda, antes que o convés do céu o expelisse como um míssil, ele já tramara um jeito de se disfarçar entre nós – ele se enrosca num terreno entre sua existência e inexistência, entre ter estado no paraíso e nunca ter caído dele, ou mesmo a pergunta que fazemos, envergonhados, sobre sua presença no último céu. Uma mosca que pousou no nariz de uma modelo renascentista; um borrão que arranca a fluidez de uma criação perfeita. Sua presença é uma cereja no sundae&gt; um dia ele será arrancado de sua posição tentadora e será devorado pela inocência. Nesse dia a criação será melancólica. O zumbido de seus murmúrios cessará. Poderemos abraçar árvores e o silêncio”.</em></p>
<p style="text-align:justify;"> Os netos riem do tom solene, com medo de que uma parte da cauda do capeta passe por seus buços imberbes, deixando um gostinho de enxofre ao passarem as línguas sobre os lábios superiores (que são também um continuum dos inferiores).</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/nightscale.wordpress.com/1647/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/nightscale.wordpress.com/1647/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/nightscale.wordpress.com/1647/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/nightscale.wordpress.com/1647/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/nightscale.wordpress.com/1647/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/nightscale.wordpress.com/1647/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/nightscale.wordpress.com/1647/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/nightscale.wordpress.com/1647/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/nightscale.wordpress.com/1647/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/nightscale.wordpress.com/1647/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/nightscale.wordpress.com/1647/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/nightscale.wordpress.com/1647/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/nightscale.wordpress.com/1647/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/nightscale.wordpress.com/1647/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=nightscale.wordpress.com&amp;blog=11065927&amp;post=1647&amp;subd=nightscale&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">thiagokcardoso</media:title>
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		<title>la lluvia dulce</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Jan 2012 21:29:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Cardoso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando nasce, um homem é suave e fraco Quando morre, um homem é rígido e forte. Quando nasce, uma planta é suave e fraca Quando morre, uma planta é murcha e seca. Por isto: Rigidez e força são companheiros da &#8230; <a href="http://nightscale.wordpress.com/2012/01/13/la-lluvia-dulce/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=nightscale.wordpress.com&amp;blog=11065927&amp;post=1644&amp;subd=nightscale&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Quando nasce, um homem é suave e fraco</em><br />
<em> Quando morre, um homem é rígido e forte.</em></p>
<p><em> Quando nasce, uma planta é suave e fraca</em><br />
<em> Quando morre, uma planta é murcha e seca.</em></p>
<p><em> Por isto:</em><br />
<em> Rigidez e força são companheiros da morte</em><br />
<em> Suavidade e fraqueza são companheiros da vida.</em></p>
<p><em> Por isto:</em><br />
<em> Se as armas são fortes não serão vitoriosas</em><br />
<em> Se as árvores são fortes são abatidas.</em></p>
<p><em> Força e grandeza fazem diminuir</em><br />
<em> Suavidade e fraqueza fazem crescer.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Tao  Te Ching, LXXVI</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/nightscale.wordpress.com/1644/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/nightscale.wordpress.com/1644/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/nightscale.wordpress.com/1644/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/nightscale.wordpress.com/1644/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/nightscale.wordpress.com/1644/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/nightscale.wordpress.com/1644/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/nightscale.wordpress.com/1644/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/nightscale.wordpress.com/1644/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/nightscale.wordpress.com/1644/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/nightscale.wordpress.com/1644/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/nightscale.wordpress.com/1644/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/nightscale.wordpress.com/1644/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/nightscale.wordpress.com/1644/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/nightscale.wordpress.com/1644/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=nightscale.wordpress.com&amp;blog=11065927&amp;post=1644&amp;subd=nightscale&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>teardrop</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Jan 2012 20:22:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Cardoso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Digressões]]></category>

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		<description><![CDATA[Penso na história da filosofia como música, culinária e entorpecimento. Antes dos modernos a filosofia sempre foi um estudo metódico, rigoroso e disciplinado para compreender. &#60;- a definição, assaz simplória, é busca canina pelo sentido. da simplicidade de &#8220;compreensão&#8221; evoluímos &#8230; <a href="http://nightscale.wordpress.com/2012/01/09/teardrop/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=nightscale.wordpress.com&amp;blog=11065927&amp;post=1638&amp;subd=nightscale&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Penso na história da filosofia como música, culinária e entorpecimento.</p>
<p style="text-align:justify;">Antes dos modernos a filosofia sempre foi um estudo metódico, rigoroso e disciplinado para compreender. &lt;- a definição, assaz simplória, é busca canina pelo sentido. da simplicidade de &#8220;compreensão&#8221; evoluímos para o sentido. quando a Folha relançou Os Pensadores no final da década de 90 eu contava com menos de 18 anos e via os bustos dos pensadores como um colégio semi-secreto que ocultava a verdade. Convenci meu tio a comprar os volumes, que hoje estão em Campinas e todo domingo era uma mini-festa particular. Mas era, a princípio, uma mistura de curiosidade pueril com fetichismo (e respeito irracional ao passado) livresco.</p>
<p style="text-align:justify;">Comecei do começo, no volume Sócrates.</p>
<p style="text-align:justify;">Todos nós, incluindo pedreiros analfabetos ou garis, somos violentados pela curiosidade; há humildade em evitá-las e empreender a vida pela vida e saciar os anseios de amor, afeto e alimentação que possuímos naturalmente. Mesmo os alfabetizados, os doutorandos e a classe falante, não está imune do fetiche físico por livros (já desconfiei que há uma assembléia elípitica de pessoas que cheiram livros e fazem sexo com eles).</p>
<p style="text-align:justify;">Sócrates arruinou minha vida (ou a salvou). Até então tinha somente lido literatura ficcional e a bíblia; costumava (e costumo) fazer um exercício mental (rigoroso) de imaginar fisicamente os personagens bíblicos como videotapes ou hologramas &lt;- imaginava as sardas de Davi, a careca de Eliseu, os pés de pescador de Pedro e as espigas de milho de Boaz.</p>
<p style="text-align:justify;">A grande maioria dos leitores freqüentes da bíblia, incluindo presidiários e donas-de-casa, lêem as sacras escrituras como matéria de auto-ajuda; e é natural que assim o seja &gt; parte da universalidade da bíblia são as experiências pessoais &#8211; sobretudo ascéticas, de derrota ou vitória contra eventos quotidianos &#8211; narradas e escritas desde a antiguidade que reproduzem, universalmente, o repertório da experiência humana.</p>
<p style="text-align:justify;">Alguns se sentem protegidos pela presença física da bíblica, há quem fume maconha com suas folhas e quem oculte armas ali dentro, mas não são desses que pretendo falar. Voltarei à filosofia.</p>
<p style="text-align:justify;">Uma vez, folheando Hegel, um primo me perguntava o que havia ali. Era um trecho sobre a experiência estética &#8211; também é universal, e se existem indivíduos imunes à experiência estéticas, por gentileza me apontem. Ninguém pensa no feio, mesmo quando uma obra de arte se pretende horrível e chocante, um conteúdo mórbido, por exemplo, o autor, ao menos na forma, a pretende estética. Respondi que &#8220;eram os pensamentos do autor&#8221;, no que ele, dialeticamente, rebateu dizendo &#8220;eu também posso pensar pela minha cabeça&#8221;. Fiquei em silêncio e até hoje não lhe dei uma resposta convincente. A história da filosofia, que parecia uma sinfonia coletiva com seus métodos e rigores, deixou, com a modernidade pós-escolática, todos sua acurácia e léxico próprio, sua linguagem, para entrar, gradativamente, numa Era de autoria desenfreada, como improvisos jazzísticos; o método é tanto uma via segura, um atalho a ser seguido, ou simplesmente uma parafilia técnica &#8211; é uma pergunta, mas não gosto de interrogações.</p>
<p style="text-align:justify;">Vulgarmente o filósofo é um lunático prostrado &#8211; diferente de quem anda ou se ajoelha &#8211; com um de seus dedos no queixo (não entendo a relação queixo/pensador), rodeado de interrogações que pretende destruir com flechas &#8211; as interrogações morrem, se auto-reproduzem ad infinitum ao redor de seu corpo. O filosofia moderna, o ensaísta moderno, o pensador freelancer, parece um jazzista bêbado que ignora as interrogações (como baloons de hélio ao seu redor) e parte direto para afirmações.</p>
<p style="text-align:justify;">A via estética, que sempre foi meu caminho natural, a inclinação de meu espírito, me faz enxergar a presença de Deus o tempo inteiro nas ínfimas coisas; no que se perfaz uma ironia com o infinito &#8211; incomensurável &#8211; e a simplicidade. O infinito, fato, é simples. Uno e irredutível.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas que diabos de infinito é esse!&#8221;, perguntaria meu primo. Uma existência eterna? O relógio sem ponteiros? O círculo? O triângulo?</p>
<p style="text-align:justify;">O infinito é intuído por nós &#8211; o que há além da morte? O post-mortem é cair como gota no oceano Brahmânico, é o Nada? é se transformar numa formiga num formigueiro? &lt;&#8211; minha avó apareceu aqui e perguntou &#8220;quer que eu compre uma camisa nova? você não tem camisas. Só Deus na sua vida!&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">O nada é um fetiche cognitivo. Ele não existe. Não existe o nada. Nem a ciência o aceita. Ninguém gosta do nada; o nada é o Agnaldo Timóteo dos conceitos; é uma substância não-substância, é um medo que somos doptados no ato de nossa criação. &#8220;se alguém ligar aí diz que fui na padaria comprar pão&#8221;. Sei que isso parece uma bufonaria cristã, ou uma cabotinice de enlevo causada por um fim de tarde &#8211; era Rimbaud que dizia que a eternidade era a morte do sol no poente?</p>
<p style="text-align:justify;">Os primeiros hominídeos, e as crianças, sempre se perguntavam se o sol poderia voltar a nascer  &lt; eu grito, como o grito dos bebês, uma noção biológica de fome e dor, contra o dualismo das luzes e das trevas, o sim e o não &#8220;e seja, assim, porém, o vosso falar Sim sim, não, não, porque o que passar disso é procedência maligna&#8221;.  O conhecimento e a curiosidade são nossa dor de fome.</p>
<p style="text-align:justify;">Sempre intuí um mundo sem sucessão de sóis e trevas, um firmamento desabrocha para nós, um mundo sem separação, a Civitate Dei, onde a luz de Cristo nos ilumina, &lt;- nunca pude diferenciar epifania de dor de barriga. é como estar grávido de sentido? Não existe uma meia-gravidez. É o diagnóstico inexistente, uma barrigada contra o princípio da incerteza. O gato está vivo ou morto? &#8220;cuidado que o Dé tá andando por aí&#8221;, diz vovó, Dé é um louco local. Vaga errático nas ruas, invade casas, diz coisas desconexas e é um filósofo das ruas, fétido e cheio de chagas. A esquizofrenia psicótica é um bug total do pensamento, a falta completa de referência de si ou de Deus (é estar no inferno sem sabê-lo). E a ignorância é infernal, e por mais que as contrações da curiosidade nos machuquem, e fujamos de perguntas imbutidas em nossa consciência, desde o dia que aprendemos a pensar (e ninguém pode precisar o primeiro pensamento verbal de um ser humano), não podemos fugir. Os bebês alternam riso e choro antes da fala &lt; a linguagem expressa definições, estados de espírito, necessidade biológicas e mal pode dar conta do que realmente desejamos ou queremos. Os anjos falam? Os anjos riem?</p>
<p style="text-align:justify;">Nunca li os irmãos Karamazóv, mas é ali que um deles afirma que &#8220;se Deus não existe, então tudo é permitido&#8221;  &#8211; já tentaram, por descrições do livro, me elucidar o contexto da frase. &#8220;contexto&#8221; é uma palavra vulgar, &#8220;contextualize&#8221;, &#8220;é preciso entender o contexto histórico&#8221;. O ateísmo é um problema que me dói, me dói porque é o nascimento das coisas, todas elas, a partir do nada; é como o Zezé di Camargo &#8220;me diga que tudo não passou de um sonho, que não fui homem pra você&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;">O riso é próprio do homem, há até um músculo responsável para desenhá-lo em nossos rostos; entendo o paraíso como um riso ou gargalhadas tão ditosas onde há um esquecimento pleno de si, acompanhado da ausência da angústia ou do medo &lt; mas um riso pode ocultar vermes e agonias que se escondem em nosso ser. O paraíso é como ter cócegas em tempo integral?</p>
<p style="text-align:justify;">Mas isso é esquizofrênico, no riso nos perdemos e rindo avançamos para o abismo.  &lt; a vida em sociedade, a vida amorosa, é uma colisão  brutal de egos, desesperos e violência para manutenção de identidade. Fico como Zezé, novamente, que dizia &#8220;é o amor&#8221;, e acho que o que há entre os abismos que nos separam, entre a possiblidade de negar ou aceitar, é o amor. Contra a individualidade-de-bebê, histérica, que tudo quer a si e nada enxerga ao redor, só é válido o amor. O amor é infinito, sem-quantidade, é aritmofóbico; no amor só há crescimento e preservação. O mundo está rodeado de demônios, que são seres incapazes de dá-lo ou recebê-lo. São tristes e desgraçados, e nada além de sua morte ou da alheia aspiram.</p>
<p style="text-align:justify;">E o amor tudo suporta.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/nightscale.wordpress.com/1638/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/nightscale.wordpress.com/1638/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/nightscale.wordpress.com/1638/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/nightscale.wordpress.com/1638/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/nightscale.wordpress.com/1638/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/nightscale.wordpress.com/1638/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/nightscale.wordpress.com/1638/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/nightscale.wordpress.com/1638/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/nightscale.wordpress.com/1638/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/nightscale.wordpress.com/1638/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/nightscale.wordpress.com/1638/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/nightscale.wordpress.com/1638/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/nightscale.wordpress.com/1638/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/nightscale.wordpress.com/1638/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=nightscale.wordpress.com&amp;blog=11065927&amp;post=1638&amp;subd=nightscale&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Hirui</title>
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		<pubDate>Sat, 31 Dec 2011 09:15:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Cardoso</dc:creator>
				<category><![CDATA[os Sonhos de Baldr]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; Desisto.<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=nightscale.wordpress.com&amp;blog=11065927&amp;post=1618&amp;subd=nightscale&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://nightscale.files.wordpress.com/2011/12/1840439_1312502911821_87res_500_3782.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-1619" title="1840439_1312502911821_87res_500_378" src="http://nightscale.files.wordpress.com/2011/12/1840439_1312502911821_87res_500_3782.jpg?w=493&#038;h=372" alt="" width="493" height="372" /></a></p>
<p><a href="http://nightscale.files.wordpress.com/2011/12/hiei_and_mukuro.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1620" title="Hiei_and_mukuro" src="http://nightscale.files.wordpress.com/2011/12/hiei_and_mukuro.jpg?w=500" alt=""   /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Desisto.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/nightscale.wordpress.com/1618/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/nightscale.wordpress.com/1618/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/nightscale.wordpress.com/1618/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/nightscale.wordpress.com/1618/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/nightscale.wordpress.com/1618/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/nightscale.wordpress.com/1618/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/nightscale.wordpress.com/1618/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/nightscale.wordpress.com/1618/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/nightscale.wordpress.com/1618/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/nightscale.wordpress.com/1618/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/nightscale.wordpress.com/1618/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/nightscale.wordpress.com/1618/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/nightscale.wordpress.com/1618/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/nightscale.wordpress.com/1618/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=nightscale.wordpress.com&amp;blog=11065927&amp;post=1618&amp;subd=nightscale&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Torta de Maçã</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Dec 2011 12:20:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Cardoso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Paulo]]></category>

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		<description><![CDATA[O que tens é só teu E de nada vale fugir Privado do sono, passeando pelas samambaias, apertava com o dedão e o indicador uma foto de Sônia no Verão no litoral. Ela usava um vestido solto, magra, tinha os &#8230; <a href="http://nightscale.wordpress.com/2011/12/29/torta-de-maca/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=nightscale.wordpress.com&amp;blog=11065927&amp;post=1603&amp;subd=nightscale&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><em>O que tens é só teu</em><br />
<em> E de nada vale fugir</em></p>
<p style="text-align:justify;">Privado do sono, passeando pelas samambaias, apertava com o dedão e o indicador uma foto de Sônia no Verão no litoral. Ela usava um vestido solto, magra, tinha os tendões que se esticavam in extremis para alcançar uma ostra. Costumava encher o vestido de ostras, despejava-os no solo e os contava concentrada (ao fundo, um prolongamento massivo do atlântico movia-se formando ondas pesadas e lentas). Ainda concentrado na foto, avistava algumas aves famintas no firmamento – preguiçosas, desvirtuadas e cansadas. Um dia opressivo, onde rajadas solares fustigavam suas pálpebras. Apoiando-se no quintal lembrava-se de Sônia saindo de uma confeitaria. Sônia costumava, todas as semanas, nas tardes de um dia escolhido ao acaso, morder um terço de torta de maçã, bebericar a goles militares um garrafa d’água, levantar-se apressadamente, pedir a conta, desaparecia e ia até o escritório da Light, em frente ao Teatro Municipal. Rodeada de mendigos, resplandescente, atravessava a Libero Badaró; depois de ascender os elevadores, atingia a mesa de Paulo, deixava o restante da torta em sua mesa, sorria timidamente, dava-lhe beijos ritualísticos: nos lábios, pálpebras e bochecha. Sentia algum fiapo de cílio na língua – fazia silêncio, depois falava da gravata do homem silencioso. Havia poucas palavras entre Paulo e Sônia; o tempo inteiro observando-se, em esforços para reter uma imagem precisa de ambos.</p>
<p style="text-align:justify;">Paulo, vamos ver alguma coisa no muncipal?</p>
<p style="text-align:justify;">- Não gosto de Ópera, só tem gordas gritando.</p>
<p style="text-align:justify;">-Todos falam das gg’s, é uma piada clichê. Me envergonha na frente de todos.</p>
<p style="text-align:justify;">-Mas são gordas e gritam.</p>
<p style="text-align:justify;">Morde mais um pedaço da torta, a maçã já inoculada de um azedume suave, próprio da decomposição.</p>
<p style="text-align:justify;">Paulo se aproxima tentando agarrá-la, ela se retrai e o abraça, deixando o  peso do corpo evanescer.</p>
<p style="text-align:justify;">- Vamos, eu preciso chorar essa noite.</p>
<p style="text-align:justify;">- Precisamos trocar a capa do sofá.</p>
<p style="text-align:justify;">- E tem consulta para o dentista hoje?</p>
<p style="text-align:justify;">Sônia entendera o recado. Paulo não gostava desses clichês do cotidiano. Hipnofóbico, não conseguia dormir, tendo apenas interlúdios indiscerníveis entre real e ideal. Às vezes se levantava à noite, ficava ouvindo o ressonar de Sônia, olhava os tendões, o cotovelo pontudo e arrogante. Às vezes (ela)  torcia os pés, apertava-os e dava nós náuticos. Pensava em acordá-la e confessar que trapaceou – ambos eram viciados em silêncio e observação. Viviam no centro de S. Paulo, odiavam os carros, o municipal, gordas, guardanapos e não conheciam estivadores. Sônia vendia imóveis, não gostava de aperto de mão e tinha ojeriza a pináculos. Teve uma intoxicação por fungos, o que lhe fez desprezar a nutrição, deixando ao seu paladar a resignação semanal de comer um terço de torta de maçã. Sônia sonhava, diária, ou semanalmente, com gravidez, um feto cinzento, como um toco cortado de uma árvore. Acordava desperada, afagava o ventre, olhava o redor, debaixo da cama, até dormir novamente. Sonhava com uma vaca ferida, a língua estirada, agônica, um homem cinzento e alto lhe dizia para ela esfaqueá-la, &#8220;dar fim ao seu sofrimento&#8221;. O mugido aumentava, aumentava incessante, até tomar conta de seus ouvidos, invadir todo espaço, intensificava em oitavas sucessivamente mais agudas, enquanto ela se precipitava para apunhalar a vaca, Paulo a acordava. Tinha os olhos do homem cinzento, e com a mão direita apertava o coração de Sônia, que adormecia à espera de um novo pesadelo.</p>
<p style="text-align:justify;">Ainda desviando-se de samambaias no quintal de sua casa, prendendo-se à imagem de Sônia a colher ostras. Após noites não-dormidas, pensou em ligar, mas lembrava-se que não gostava da voz de Sandra. Havia algo de hostil, uma hostilidade diligente, um tom inquisitorial e desprezo – não sabia entender porque ela foi embora, deixou um frasco de desodorante sobre a cama, e numa lista compras escrito “tem pudim na geladeira”.</p>
<p style="text-align:justify;">Sônia havia retido uma imagem de Paulo – era uma gravata, em silêncio. Nesse dia ao entrar no banheiro, deslizou, e antes de cair na quina do vaso sanitário, rachar o osso da testa, pensava, em suas rápidas e fagulhantes palavras, uma linguagem pré-tanatóloga, que a persona non grata experimentava, em decorrência de sua expulsão social, uma liberdade – o olho estrábico de Sartre, cujo corolário à noção de liberadade, uma ejeção social, ostracismo, tinha um peso advindo de sua responsabilidade consigo mesma. Estava, antes de despencar no vaso sanitário, posta à frente de seu único juiz, desde o dia que dispensou julgamentos externos – ia agora, ser seu próprio algoz. Talvez o sabonete que estava no banheiro, nos azulejos, que a vez derrapar, interpretasse  sua forca: Sônia abominou a solidão do auto-julgamento e almadiçoou a liberdade.</p>
<p style="text-align:justify;">Paulo adormeceu sob as samambaias, sentindo uma carícia vaga no rosto.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/nightscale.wordpress.com/1603/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/nightscale.wordpress.com/1603/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/nightscale.wordpress.com/1603/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/nightscale.wordpress.com/1603/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/nightscale.wordpress.com/1603/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/nightscale.wordpress.com/1603/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/nightscale.wordpress.com/1603/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/nightscale.wordpress.com/1603/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/nightscale.wordpress.com/1603/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/nightscale.wordpress.com/1603/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/nightscale.wordpress.com/1603/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/nightscale.wordpress.com/1603/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/nightscale.wordpress.com/1603/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/nightscale.wordpress.com/1603/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=nightscale.wordpress.com&amp;blog=11065927&amp;post=1603&amp;subd=nightscale&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>zoofecundity</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Dec 2011 20:57:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Cardoso</dc:creator>
				<category><![CDATA[os Sonhos de Baldr]]></category>

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		<description><![CDATA[<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=nightscale.wordpress.com&amp;blog=11065927&amp;post=1598&amp;subd=nightscale&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone" src="http://s3.amazonaws.com/data.tumblr.com/tumblr_lv2v1bcwVp1qd0jxdo1_1280.png?AWSAccessKeyId=AKIAJ6IHWSU3BX3X7X3Q&amp;Expires=1325105404&amp;Signature=VpgWRNvL64ZPlmFt06lA6NpRr78%3D" alt="" width="446" height="353" /></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/nightscale.wordpress.com/1598/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/nightscale.wordpress.com/1598/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/nightscale.wordpress.com/1598/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/nightscale.wordpress.com/1598/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/nightscale.wordpress.com/1598/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/nightscale.wordpress.com/1598/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/nightscale.wordpress.com/1598/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/nightscale.wordpress.com/1598/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/nightscale.wordpress.com/1598/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/nightscale.wordpress.com/1598/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/nightscale.wordpress.com/1598/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/nightscale.wordpress.com/1598/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/nightscale.wordpress.com/1598/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/nightscale.wordpress.com/1598/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=nightscale.wordpress.com&amp;blog=11065927&amp;post=1598&amp;subd=nightscale&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>shankareirices</title>
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		<pubDate>Sun, 25 Dec 2011 06:57:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Cardoso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Pode existir o instante? Os instantes podem ser desmembrados em multiestâncias? O que está no campo sensorial é o resumo da realidade? à seqüência das questões, presumo um mistério. Os mistérios são inefáveis, ininteligíveis, incompreensíveis &#8211; tem em comum o &#8230; <a href="http://nightscale.wordpress.com/2011/12/25/shankareirices/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=nightscale.wordpress.com&amp;blog=11065927&amp;post=1593&amp;subd=nightscale&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Pode existir o instante? Os instantes podem ser desmembrados em multiestâncias? O que está no campo sensorial é o resumo da realidade? à seqüência das questões, presumo um mistério. Os mistérios são inefáveis, ininteligíveis, incompreensíveis &#8211; tem em comum o radical i negativo. São portas fechadas à percepção. Do paraíso, pode se intuir, imaginar, sentir saudade. Diriam os vedânticos que o mistério, o uno absoluto, a convergência entre todas as coisas, num único ponto, é o Ser imutável Brahman. Atrás da porta, há talvez sons, ou zumbidos, e por suas frestas contemplanos feixes iluminados que se irradiam; continuamos a desenhar o paraíso, e tentar, em vão, conceber o incognoscível. A levantar dos mares um náufrago imemorial. E, assim, nossos dias, gastos na revelação do inominado. Desde a mordida no fruto, a angústia-de-conhecer, que nos rói as tripas. E, semeadores, plantamos em nossas mentes  árvores que irrompem frondosas, a espalhar pelo solo fértil de nossa miséria os frutos de sabor amargo. E há entre os dedos, entre os vales dos dedos, um fluido que nos passa, e tateamos e tentamos prendê-lo em nossas mãos, e nada, nada do que se faça pode retê-lo, assim como o vento que sopra por todas direções sem estar em nenhuma. Assim como o fogo arde até a consumação; e às vezes, obsvando o sol, como um corsário cósmico, percebemos que há um sempre ponto iluminação, de onde todas as coisas passam do invisível ao visível. E assim, nossa peregrinação, é encontrar um segundo sol, cravado no âmago de nosso coração &lt;&#8211; e desse sol dar lume às dúvidas que se escondem e gargalham no escuro de nosso patíbulo mental. Daí uma risada álacre, uma dança de vitória, um rodopio. O que poderia ser nomeado de insight, uma heureka, uma compreensão da própria compreensão. A irredutibilidade das coisas, a causa única, o movimento em repouso, o extra-temporal, o supracorpóreo. A tristeza e a curiosidade nos corroem, como mercúrio incandescente sobre nossas delgadas peles. Não se deve lamentar.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Contra os malefícios da dor, da incerteza e o desconhecimento, a angústia do pecado, o mal que nos envolve como serpente, a esmagar nossos miolos e discernimento: nomeio Esperança o sol interior para dissipar as trevas. O homem sem esperança, já cativo do inferno, de sua percepção deficitária, sofre e maldiz sua existência, &#8211; por que temeis desse modo, oh homens de pouca fé?</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/nightscale.wordpress.com/1593/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/nightscale.wordpress.com/1593/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/nightscale.wordpress.com/1593/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/nightscale.wordpress.com/1593/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/nightscale.wordpress.com/1593/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/nightscale.wordpress.com/1593/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/nightscale.wordpress.com/1593/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/nightscale.wordpress.com/1593/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/nightscale.wordpress.com/1593/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/nightscale.wordpress.com/1593/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/nightscale.wordpress.com/1593/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/nightscale.wordpress.com/1593/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/nightscale.wordpress.com/1593/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/nightscale.wordpress.com/1593/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=nightscale.wordpress.com&amp;blog=11065927&amp;post=1593&amp;subd=nightscale&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>crywolf, ou da série 50 suicidas pra add no MSN</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Dec 2011 15:49:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Cardoso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Digressões]]></category>
		<category><![CDATA[50 suicidas pra add no msn]]></category>
		<category><![CDATA[bêbados suicidas]]></category>
		<category><![CDATA[espermatópicos]]></category>
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		<category><![CDATA[lucrécio]]></category>
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		<category><![CDATA[Roma]]></category>

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		<description><![CDATA[Lucrécio negou os deuses no rerum natura. Há páginas que descreve a viscosidade do sêmen. É isso. Lucrécio nega o panteão, fala da fertilidade masculina, tenta empurrar os deuses da festa como se estivessem bêbados. Tenta descreditá-los pela criação. Lucrécio &#8230; <a href="http://nightscale.wordpress.com/2011/12/15/crywolf-ou-da-serie-50-suicidas-pra-add-no-msn/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=nightscale.wordpress.com&amp;blog=11065927&amp;post=1587&amp;subd=nightscale&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Lucrécio negou os deuses no rerum natura. Há páginas que descreve a viscosidade do sêmen. É isso. Lucrécio nega o panteão, fala da fertilidade masculina, tenta empurrar os deuses da festa como se estivessem bêbados. Tenta descreditá-los pela criação. Lucrécio fala dos pássaros, árvores, animaizinhos, o Nilo, como dar fatality no Mortal Kombat, fala de gansos selvagens, patos, a força eólica agitando o oceano, a formação das ondas, a palidez dos que se alimentam com pouca carne; os arados, as gramídeas, o código pra desbloquear o playstation &#8211; Lucrécio fala várias vezes do sêmen e da fertilidade. Fala de homens como búfalos reprodutores. O coito como uma agitação hormonal incontrolável, um cio humano, a fúria criadora, uma quietude, uma diáspora de elementos dissonantes, que se unem, divorciam-se, retomam a si. É como um filme de Tarkovsky não-editado, onde a brutalidade da beleza fluida da água, o farfalhar das ervas daninhas, o passo baço dos ruminantes, as mulheres de tiara e os homens de pinto duro sequiosos de emprenhá-las. É um festim de uma natureza sem Deus, um universo acidental &amp; belo. Lucrécio mentia descaradamente. Não consigo odiá-lo ou censurá-lo. &#8220;Lu, por favor, pare de falar merda&#8221;. Não consigo. Há algo de essencialmente masculino em Lucrécio, uma idéia latente de que se nos masturbássemos em quaisquer lugares poderíamos engravidar as rochas, os cactos, o deserto. Gosto dessa espermatopia de Lucrécio. Lucrécio era uma alma atormentada.</p>
<p><span style="color:#993300;"><em><strong>Suicidou-se.</strong></em></span></p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://nightscale.files.wordpress.com/2011/12/057.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1589" title="057" src="http://nightscale.files.wordpress.com/2011/12/057.jpg?w=500&#038;h=548" alt="" width="500" height="548" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Deve ter visto muitos lobos ao redor das 7 colinas. Lucrécio era uma parte lupínico, outra parte humana, outra parte bêbado com um quê de ator pornô. Queria add Lucrécio no MSN.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/nightscale.wordpress.com/1587/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/nightscale.wordpress.com/1587/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/nightscale.wordpress.com/1587/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/nightscale.wordpress.com/1587/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/nightscale.wordpress.com/1587/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/nightscale.wordpress.com/1587/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/nightscale.wordpress.com/1587/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/nightscale.wordpress.com/1587/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/nightscale.wordpress.com/1587/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/nightscale.wordpress.com/1587/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/nightscale.wordpress.com/1587/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/nightscale.wordpress.com/1587/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/nightscale.wordpress.com/1587/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/nightscale.wordpress.com/1587/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=nightscale.wordpress.com&amp;blog=11065927&amp;post=1587&amp;subd=nightscale&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>onirismo</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Dec 2011 10:01:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Cardoso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[O bulbo da papoula-da-índia. É um caroço verde-escuro, de onde a seiva escorre como uma purulência ou ferimento de filme em preto-e-branco. Os usuários de ópio terminam seus dias com a tez a amarela, tão vergastados e cansados de ócio, &#8230; <a href="http://nightscale.wordpress.com/2011/12/13/onirismo/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=nightscale.wordpress.com&amp;blog=11065927&amp;post=1573&amp;subd=nightscale&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">O bulbo da papoula-da-índia.</p>
<p style="text-align:justify;">É um caroço verde-escuro, de onde a seiva escorre como uma purulência ou ferimento de filme em preto-e-branco.</p>
<p style="text-align:justify;">Os usuários de ópio terminam seus dias com a tez a amarela, tão vergastados e cansados de ócio, que perdem a vontade. A sensação de anestésica dos opióides deixa seus usuários prostrados, entrevados, impotentes, indiferentes, hipnotizados por um golpe da papoula em suas sinapses nervosas. Poderia dizer o sangue da papoula, diferente das angústias e aflições induzidas pelo pensamento incessante, pelo frenesi ontológico que alguns se debatem como desesperados; a jactância destrutiva e construtiva dos guerreiros &lt;- gosto dos opióides porque eles deixam seus usuários numa libertação sem jactância, um nirvana semi-consciente, como se não houvesse conflitos, nem dor nem prazer, nem expectativas, nem senso de passado nem de futuro; apenas um presente diluído numa vontade vazia e oca. são vencedores que não podem comemorar.</p>
<p style="text-align:justify;">Os opióides me lembram uma carícia sem destinatário, como se a própria cia fosse o bastante; um senso de individualidade mitigado por uma abulia, um enfado crônico, uma pré-preguiça, que é avessa à preocupação. Gosto das pernas cansadas que se estendem, do daydreaming; gosto de pensar que o sol histericamente ilumina o dia, os pássaros ferozes como bestas da manhã, os galos como generais de um dia que começa &#8211; gosto da cortina, tão fina, essa membrana que é uma emulação de pálpebra.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas, hein, o que digo? Isso é um códice de covardia. A vida é uma sucessão de vôos sônicos às grutas abissais do sofrimento, da falta de dinheiro &amp; sentimento, de levar pé na bunda, de comer com as mãos, e às vezes é uma dança nos píncaros metafísicos, uma geladeira cheia e uma sensação familiar &lt;&#8211; os comedores de ópio me lembram gente fedida, rodeada de jornais velhos, aquelas pessoas portadoras duma loucura branda, de uma amnésia diferente: suas memórias não foram perdidas, mas foram picotadas, e o sujeito tem uma vaga impressão de quem é ou quem foi. é como se as memórias se reeditassem num filme em fade out eterno. (as memórias vivem junto com os sonhos? penso, esporadicamente, que se no cérebro houvesse gavetas, sono e memória seriam vizinhas. às vezes as meias e cuecas da gaveta<em> -memória-</em> iriam se misturar às camisas e camisolas da gaveta<em> -sonho</em>-).</p>
<p style="text-align:justify;">Gosto de pensar na Papoula da índia. Parece uma pílula de auto-esquecimento que algum deus brincalhão semeou na terra só para que as almas mais angustiadas e perplexadas pudessem ter um lenitivo. Os deuses não existem, lembro. Por isso respeito a natureza. Não porque seja má, mas porque ela abriga em seu ventre animais frios e secos como as serpentes, que ao contrário das bestas furiosas que nos atacam frontalmente, estão sempre nos rodeando e envolvendo para no final nos picar o calcanhar.</p>
<p style="text-align:justify;">Prefiro definhar de saudades do que me esquecer. Não é um masoquismo estético, é só um senso desesperado de identidade. Parte da minha identidade está no passado, &#8211; para mim a memória, que também é fantasia, é um lugar que sempre repito as mesmas coisas, erradas ou certas: é um lugar estável, não tem o embotamento do futuro incerto. É uma prisão e uma condenação. Se pudesse queimar a memória como um Nero cinematográfico e tocar enquanto ardessem em fogo. Mas a memória serve didaticamente, educa, e o sofrimento é ainda  a maior forma de educação.</p>
<p style="text-align:justify;">Por isso vejo as papoulas de longe, sem ceder à vontade de lamber sua seiva onírica.</p>
<p style="text-align:justify;">
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/nightscale.wordpress.com/1573/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/nightscale.wordpress.com/1573/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/nightscale.wordpress.com/1573/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/nightscale.wordpress.com/1573/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/nightscale.wordpress.com/1573/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/nightscale.wordpress.com/1573/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/nightscale.wordpress.com/1573/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/nightscale.wordpress.com/1573/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/nightscale.wordpress.com/1573/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/nightscale.wordpress.com/1573/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/nightscale.wordpress.com/1573/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/nightscale.wordpress.com/1573/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/nightscale.wordpress.com/1573/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/nightscale.wordpress.com/1573/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=nightscale.wordpress.com&amp;blog=11065927&amp;post=1573&amp;subd=nightscale&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Dr. Ramiro</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Dec 2011 17:53:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Cardoso</dc:creator>
				<category><![CDATA[os Sonhos de Baldr]]></category>

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		<description><![CDATA[Angie, na recepção da clínica, falava contidamente, como conseqüência de um auto-condicionamento para reduzir os ruídos vocálicos; Paulo observava as palavras açuladas, reduzidas, compactadas em sua boca, como uma disciplina cultivada há anos. Incapaz de determinar sua freqüência de decibéis &#8230; <a href="http://nightscale.wordpress.com/2011/12/06/dr-ramiro/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=nightscale.wordpress.com&amp;blog=11065927&amp;post=1565&amp;subd=nightscale&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Angie, na recepção da clínica, falava contidamente, como conseqüência de um auto-condicionamento para reduzir os ruídos vocálicos; Paulo observava as palavras açuladas, reduzidas, compactadas em sua boca, como uma disciplina cultivada há anos. Incapaz de determinar sua freqüência de decibéis natural. O auto-condicionamento comportamental, descaracterizante, era contraste entre a movimentação frenética dos pés que explodiam em seus sapatos; pequenos pedaços de carnes fugindo das orlas de sua scarpin. Angie engordara para diminuir a voz – para não ser tão inábil socialmente, causar espanto ou atenção; Angie havia construído para si uma imagem de esmaecimento, enquanto em seus pés a gordura se dissipava, pressionando o bico do sapato, ansiando para comer do outro lado da rua um chocolate ao leite.</p>
<p style="text-align:justify;">Paulo notara, também, que o volume de seios, maior, acompanhou o curso do ganho de peso, o que lhe dava uma confortável sensação maternal. Angie às vezes, furtiva ao auto-condicionamento, soltava uma risada lânguida, prolongada, cuja perduração parecia indeterminada. Paulo, taxonomista, via a todos como criaturas, bichos, precisamente, bichos de zoológicos com uma barra de metal onde se entalhavam o nome de sua espécie – Angie via a todos como animais soltos no safári, interativos, aleatórios e acessíveis. Angie passava os dias observando tumores pulmonares, observava as unhas amarelas de Paulo, cuja gradação de tons solares, de dias límpidos, em suas unhas, eram exposições de fósseis que revelavam seu percurso tabacal; Paulo trazia olhos tão amistosos, confundíveis com olhar inquisitivo por seus  sapatos (uma observação derivada de anomalia de sua fala).</p>
<p style="text-align:justify;">Bom dia Sr. Paulo – o tom da voz ia à polidez do canto gregoriano, sussurrado nos vaus de um monastério, ou saudação duma gueixa, -</p>
<p style="text-align:justify;">O Sr. tem horário marcado com o Dr. Ramiro? – Paulo estranhava o nome de traficante do possível  oncologista.</p>
<p style="text-align:justify;">Onde comprou esses sapatos?</p>
<p style="text-align:justify;">Angie corara, naturalmente sua pele, desviava o olhar – o Dr. Ramiro é um grande médico&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">- São pontudos.</p>
<p style="text-align:justify;">Sr. Paulo, &#8211; aumentando gradativamente o tom da voz, &#8211; qual o horário?</p>
<p style="text-align:justify;">Paulo não confundira a pergunta desconcertante como uma traquinagem para constranger, pensou num método onde pudesse furar o auto-condicionamento de Angie e ouvir seu tom de voz habitual. Angie sentira conforto, liberta, do jugo do auto-condicionamento e, num volteio gracioso de gaivota que muda uma rota repentinamente em seus desenhos de vôo, começou</p>
<p style="text-align:justify;">- São scarpins! Nunca ouviu falar? São lindos. Andei o dia inteiro para encontrá-los, são meus favoritos. Tão desconfortáveis. Mas são lindos, não são?</p>
<p style="text-align:justify;">- a consulta está marcada para as 15:.., diz Paulo como cortando abruptamente a expansão de Angie.</p>
<p style="text-align:justify;">Angie amiudara-se voltando num tom sônico de missa fúnebre, &#8211; pode aguardar, em breve o dr. Ramiro irá chamá-lo.</p>
<p style="text-align:justify;">“Pena que os Beatles acabaram”, pensara dr. Ramiro dentro de sua sala.</p>
<p style="text-align:justify;">Lamentar pelo fim de algo é lamentar por uma obviedade, é chocar-se com o final de uma peça cujo final é conhecido. Reclamar de um final irrevogável. Se, o advérbio, é tão pouco discriminatório que pode comportar dentro de si tantas possibilidades e contingências, tão arrebanhador de possibilidades vindoiras, e lamentações, que conjugados, são tanto o combustível quanto o fogo de uma pira.</p>
<p style="text-align:justify;">“Chorar pelo leite derramado”, pensara Ramiro “é uma forma de auto-condicionamento inútil, tanto quanto causador de tensão desnecessária” (perdera a conta de quantas vezes disse “você tem um tumor”). O choro era uma mera birra. Ramiro havia tanto sofrido com seu nome, tanto quanto aprendera a anunciar a notícia com tantas introduções, eufemismos, divagações, métodos completos de se anunciar um câncer, que percebeu que estava dançando para a morte, cujos olhos não se interessam por movimento, mas tão-somente por inatividade.</p>
<p style="text-align:justify;">“Paulo, você tem 3 meses de vida” – depois de desvincular-se de suas artes de prefaciar a morte para seus pacientes, resolveu lhe dar estimativas de vida, como quem oferece o último gomo de tangerina sugerindo que o sugasse, sem pensar nos já consumidos.</p>
<p style="text-align:justify;">Paulo, absorto, pensava no aguilhão em forma de sapato de Angie.</p>
<p style="text-align:justify;">“alguns pacientes, num senso de humor óbvio, e revanche apressada, acendem, ali na sala, como se cometessem sacrilégios, um cigarro”.</p>
<p style="text-align:justify;">Paulo sorriu, por princípios, e também senso estético. Não entendia, como Ramiro, o espetáculo de cada tragada bruta e comicidade desesperada. O médico com nome de bicheiro tinha em mãos um libreto indicando ilhas paradisíacas para gastar os últimos meses – espécie de mapa dos tumores, ilhas para passar réstias de dias pré-mortais. Ramiro alimentou uma vaidade cruel de indicar coqueirais para que o futuro defunto repousasse a espinha dorsal. Em sua narrativa macabra Ramiro descreveria, quimicamente, a composição da água de coco, a vegetação de ilhas tropicais e o farfalhar dos coqueiros.  “Para uma malta de cancerosos acendendo cigarros sacrílegos. Fazendo uma nuvem coletiva de fumaça plúmbea cuja óbvia anormalidade com a vegetação produzisse uma ironia situacional perfeita.”</p>
<p style="text-align:justify;">Paulo, preferiu, conscientemente, não absorver ou arquivar a informação de seu tempo de sobrevida, nem visualizar seu sofrimento vindouro. Teve, então, novamente, em sua mente, os pés de Angie, os dedos gorduchos seviciando o scarpin.</p>
<p style="text-align:justify;">-Angie, você compraria scarpins comigo?</p>
<p style="text-align:justify;">Riu lentamente, quase um espetáculo particular, uma risada frondosa.</p>
<p style="text-align:justify;">– Só se prometer não fumar na minha frente.</p>
<p style="text-align:justify;">Com os olhos vívidos, fixos em suas unhas amarelas, dando atenção ao indicador. Paulo, ao observar a robustez de seus dedos, pensara, também, como dialético, em Ramiro, -</p>
<p style="text-align:justify;">“a resignação é manifestação de covardia? É preciso lutar!”</p>
<p style="text-align:justify;">Pensara em voz frenética, em bom tom, dentro de sua cabeça, abrindo uma revista de moda (ou fofocas). Observa dedos macérrimos de modelos mal alimentadas, cujo auto-condicionamento ia à beira da despersonalização. “São zumbis todas as modelos. Autômatos”.</p>
<p style="text-align:justify;">Com essa risada Angie aceitava, tacitamente, a intervenção de Paulo. Uma gordinha feliz, pensava Paulo em sua taxonomia de zoológico; como espelho, Angie dizia a si mesma que Paulo era um babuíno amigável que se postara diante de seu jipe em sua passagem por um safári. Ambos sabiam que rumariam para uma relação baseada na permuta, os dias restantes de Paulo pela Cia de Angie.</p>
<p style="text-align:justify;">Dr. Ramiro, pensava, novamente, em sua sala, “o ofício do oncologista é um mister tão grosseiro quanto o do burocrata vulgar: um arauto da morte. Sem pompas, tendo que bifurcar-se em outros papéis necessários para lidar com a morte – Padre, confessor, público pagante, analista, metafísico pessoal”. Ramiro pensava não apenas na redundância e cansaço naturais de sua atividade, como também em sua feiúra – “um intermediário entre”. Deixou a idéia incompleta, vacante.  Do outro lado da rua, via Paulo e Angie expondo seus dentes, todos amarelos, somados, quase uma centena, como cada qual um sol amarelo, cuja trajetória no céu é idêntica, e não menos admirável e anômala – um paradoxo. “nas religiões primitivas temia-se que o sol não viesse, deixando todos em todos em trevas” – se soubessem de sua pontualidade, teriam poupado muitos sacrifícios.</p>
<p style="text-align:justify;">Lamentou não conhecer latim ou ter uma raquete de ping pong.</p>
<p>_______________________</p>
<p style="text-align:center;"><img class="aligncenter" src="http://obit-mag.com/media/image/08death_painting.jpg" alt="" width="783" height="665" /></p>
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